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Espiritualidade, que bicho é este?

Written By: Roberto - nov• 24•11

           Vamos retroceder no tempo e imaginar a seguinte cena, ocorrida há 30.000 anos: Um homem pré-histórico, do período Paleolítico, sentado em uma pedra  em frente a sua caverna,  observa atentamente  a lua e as estrelas  na intenção de sondar a Natureza sobre a possibilidade de haver chuva no dia seguinte em que sairia para caçar. Instintivamente, ele ergue as mãos  para o alto e começa a dançar e emitir grunhidos como que pedindo a um ser superior que garantisse um dia ensolarado para facilitar  o seu trabalho no dia seguinte.

          Pois bem, este anseio é inerente ao ser humano, pois temos a necessidade de estabelecer contato com o “mundo invisível”  para receber orientações e consolo no caminhar de nossa vida.

          Neste ponto, começamos a identificar o sentido da Espiritualidade, da existência de  uma conexão da dimensão física em que vivemos com a dimensão de onde viemos, conexão esta que pode receber diversas denominações, conforme a crença de cada um. A partir deste ponto constatamos a existência do espírito e da matéria.

          Não devemos confundir Espiritualidade com Religião pois são temas distintos que podem, ou não, coexistir na mesma crença. A Religião é a tentativa do Homem de explicar aquilo que ele desconhece frente aos mistérios da vida; é o re-ligare com o mundo divino;  já a Espiritualidade é a capacidade de manifestação pessoal do ser humano em  conectar-se com esta realidade.

          Feita esta pequena introdução, vamos tentar definir o que se entende por Espiritualidade:

“A espiritualidade é o processo de um desenvolvimento pleno,

adequado, apropriado e harmônico das capacidades espirituais

do homem. As capacidades espirituais são aquelas relacionadas com:

(a) O intelecto ou a compreensão;  raciocínio, memória,

percepção e imaginação,

(b) O sentimento ou do “coração”, amor, intuição,

compaixão e bondade.

(c) A vontade ou volição; capacidade de iniciar e continuaruma ação.” William Hatcher ( filósofo contemporâneo)

          Outra concepção de Espiritualidade , bem mais concisa, nos é fornecida pelo líder Tibetano Dalai Lama :

“Espiritualidade é aquilo que produz no ser humano uma mudança interior.”

          Feitas as devidas apresentações do tema, podemos seguir tecendo considerações.

         Sendo assim, nos perguntamos: Quando estamos praticamos a Espiritualidade? Ao irmos, uma vez por semana ao culto a que pertencemos, para orar, ouvir palestras por uma hora e depois sair dizendo impropérios ao motorista ao lado, ou explodindo em raiva com os filhos por causa de assuntos banais? Ou quando damos atenção ao gari que varre a nossa rua, ou ainda, ao oferecermos o ombro a um amigo que acabou de perder um filho recém-nascido?

Questionando-nos assim, percebemos que vivenciar a espiritualidade é ter uma atitude cem por cento atenta à nossa melhoria continua e ao auxilio realmente interessado ao próximo.

          Por tratar-se de um tema que está sempre vinculado à Religião, temos a propensão de perceber a Espiritualidade como algo que vem de cima para baixo, que necessita de um “intermediário” capaz de nos conectar com a dimensão espiritual, como já foi comentado acima. Entretanto, vamos voltar ao tempo de Pitágoras, o filósofo grego, e sua famosa Escola Pitagórica, onde os ensinamentos filosóficos tinham como finalidade  promover a melhoria do ser humano. Seguindo  adiante na linha do tempo passamos por diversas instituições laicas que trataram do aperfeiçoamento o ser humano até chegarmos  aos dias atuais, quando temos, por exemplo, o Centro de Estudos da Consciência – instituição situada em São Paulo- que estuda o Espirito e a Espiritualidade desde o ponto de vista humanístico, sem vínculo religioso qualquer. Constatamos assim que a Espiritualidade é uma capacidade que esteve sempre presente em nossas vidas mas que, quase sempre, a ignoramos.

     Pois bem, entendo que o sentido da Espiritualidade se manifesta em nós em vários momentos do nosso dia a dia. Também reconheço que algumas práticas nos ajudam a vivenciar melhor nossa Espiritualidade, são elas:

1 – Cuidar do corpo e da higiene pessoal com vistas a manter a saúde; praticando atividades físicas, exercendo o controle da alimentação, esforçando-se para ter as horas necessárias de um sono tranquilo e revigorante, efetuando visitas periódicas  ao médico, e, sobretudo, procurando diminuir ou suspender a ingestão de bebidas alcoólicas bem como do uso do tabaco e seus derivados. Desnecessário dizer para fugir de toda e qualquer droga alucinógena. O corpo físico é um  templo  onde habita o espírito.  

2-   Fazer a profilaxia das emoções mantendo atividades como Yoga, Meditação, Tai Chi Chuan, entre outros. Emoções descontroladas como a inveja ,o ciúme, as explosões de raiva, euforia exagerada, nos tornam reféns de alto índice de stress o que ocasiona distúrbios físicos e psíquicos que acabam por afetar diretamente o nosso corpo físico, através de aumento das taxas de colesterol e triglicérides, entre outros,  pondo em risco o sistema cardiovascular e, principalmente, promovendo a diminuição da eficácia do sistema imunológico devido às glândulas endócrinas estarem trabalhando na capacidade máxima, portanto, sobre grande pressão. A meu ver, é impossível desassociar o físico do emocional, como bem preconizam as medicinas chinesa e hindu.

3 – Manter o bem estar mental, monitorando a qualidade de nossos pensamentos. Pensamentos que visam prejudicar o próximo, ou que incitem à prática de atitudes desonestas são pensamentos que nos levam à decadência moral. Diz o ditado popular: “ você é o resultado dos seus pensamentos”. Vamos, portanto, mudar a frequência de nossos pensamentos evitando o assédio de noticias sensacionalistas, tragédias, banditismo, etc.,  que não nos trazem benefício algum, ao contrário,  nos induz ao tormento mental.

Uma excelente prática, além da meditação e da Yoga é a realização constante de orações sinceras. Quando digo sinceras, estou excluindo as orações padronizadas e mecânicas que são na verdade apenas ladainhas. Orações sinceras brotam do coração e servem para agradecer ou pedir ajuda  em favor do próximo. É prática salutar orar ao despertar e ao deitar-se, fazendo um apanhado de todos os nossos atos, emoções e pensamentos ocorridos durante o dia.

          Além desta prática, existem os passatempos saudáveis, como por exemplo, ouvir música de boa qualidade ou ler livros que nos induzam a trilhar o caminho do bem.

          Assim, verificamos que uma atitude mental desequilibrada pode afetar o emocional que por sua vez afetará o físico.

         Em resumo,  praticar a Espiritualidade nada mais é do que empenhar-se na melhoria continua como ser humano e levar em conta sempre o bem estar do nosso próximo. Não há misticismo nem religiosidade necessariamente envolvidos, basta ter o bom senso sempre afinado.

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